SOBRE O FESTIVAL

 

#PensoLogoResisto

Ano passado comemoramos os 25 anos do Mix Brasil, e o texto de introdução do catálogo mencionava a “onda de obscurantismo conservador” e terminava com uma frase premonitória, dizendo que o Festival “é e continuará sendo o mais consistente ato de resistência cultural LGBT do nosso país”. Não era possível naquele momento prever que o sentimento de insegurança e a retórica LGBTfóbica escalariam e atingiriam não apenas os grupos da comunidade historicamente marginalizados. Nessa 26ª edição, está claro que o papel do Mix Brasil é talvez ainda mais necessário do que nunca.

A Resistência de que falamos hoje não se refere apenas a Direitos Civis e Humanos, tanto os conquistados quanto os que estavam entrando em pauta. É o própria Cultura que está em risco.

Mas é para isso que estamos aqui, existindo e resistindo.

Neste ano são mais de 100 filmes exibidos, com um destaque para o grande número de diretorAs e uma retrospectiva histórica da cinematografia lés. Entre os brasileiros, que vêm ganhando a cada ano maior peso na programação, estreamos o Panorama Nacional, que se soma à Mostra Competitiva com um total de 20 longas, um recorde. Vale destacar a poderosa produção de curtas que veio do Rio de Janeiro, prova da resistência artística na cidade que tem sofrido mais acentuadamente a crise econômica e os efeitos do ultraconservadorismo. São Paulo continua o maior e mais diverso polo produtor, e as regiões Norte e Nordeste têm desenvolvido novas linguagens cinematográficas muito particulares e com forte presença de personagens e temas LGBTQI.

Para mostrar que somos muitos e estamos marcando presença em todas as áreas do audiovisual, abrimos o eixo Games em parceria com a Abragames e o BIG Festival.

A Literatura volta com força total em mesas e workshops com mais de 60 nomes fundamentais do cenário editorial nacional.

Mix Music e Dramática em Cena, como sempre, fazem um recap de espetáculos e nomes que marcaram as cenas musicais e das artes cênicas.

E para entender melhor o momento e trocar ideias teremos a quarta edição da nossa Conferência, produzida em parceria com Pajubá e uma série de grupos para falar como ficam Política, Mercado, Saúde, Identidades e Feminismo nesses tempos.

João Nery, um símbolo de coragem e persistência da comunidade trans mundial que nos deixou recentemente, é homenageado com o Ícone Mix.

2018 foi muito difícil, e já sabemos que o ano que vem trará desafios ainda maiores. O 26º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade nos proporciona onze dias para pensarmos juntos nas mais inteligentes, empoderadoras e eficazes maneiras de resistir.

Como na música de Johnny Hooker, que é tema do nosso trailer deste ano, “um novo tempo há de vencer pra que a gente possa florescer e amar, amar sem temer”.

 

João Federici e Andre Fischer