ARTES VISUAIS

Márcia Pantera

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FIGA

Quando nos falta o verbo, voltamo-nos ao silêncio eloquente das imagens. É a possibilidade de enxergar o discurso no que se recusa a ser dito. 2020 é o ano em que nossos vocabulários emocionais, sociais e linguísticos encontraram a fronteira dos adjetivos: faltaram-nos palavras que dessem conta de nossas experiências de luto e de luta. Na ausência delas, o Mix Brasil silenciou seu verbo e falou pelo corpos.

A figa, utilizada na Europa desde os romanos com associações à sexualidade e fertilidade, chega ao Brasil e funde-se aos cultos de terreiro, disseminando-se popularmente como amuleto de proteção contra forças destrutivas. A partir da minha fotografia desse gesto na série “Eledá” (2020) veio o convite para que eu desenvolvesse a identidade visual da 28ª edição do festival que, pela primeira vez, não teria uma palavra como tema, mas esse gesto.

Ao levantarmos nossas mãos em figa, lembramos que nossos corpos são indício e presença das lutas tangíveis e intangíveis dos corpos que nos precederam. Diante da colonização de nossos símbolos e existências, a evocação das sexualidades e ancestralidades que nos habitam firma e exalta as subjetividades que nos foram negadas enquanto pessoas LGBTQIA+. Nossos corpos são nossos amuletos: não vão nos apagar, tampouco seu mau agouro vai nos derrubar!

Axé!

Felippe Moraes

14-NOV | SÁBADO

» 11h00 Abertura exposição “Figa”Vila Itororó

Além da exposição da na Vila Itororó, os lambe-lambes também poderão ser visualizados no Centro Cultural da Diversidade, Centro Cultural da Juventude e Centro de Culturas Negras.

Vila Itororó:
R. Pedroso, 238 – Bela Vista, São Paulo – SP

Centro Cultural da Diversidade:
R. Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi, São Paulo – SP

Centro Cultural da Juventude:
Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila dos Andrades, São Paulo – SP

Centro de Culturas Negras:
R. Arsênio Tavolieri, 45 – Jabaquara, São Paulo

Pablo
André Fischer
Linn da Quebrada
Antoniella
Luisa Tavares
Arthur Luanda
Joanna Lopes
Priscila Halenda
Márcia Pantera